Comendo Fora #11 1928

Quando penso em restaurantes, quase sempre meus pensamentos são remetidos a uma boa companhia, a confraternizações e, claro, comida boa por um valor justo.
Poucas são as vezes em que vou a um restaurante sozinho. Gosto de ter alguém pra trocar ideias sobre a comida e sobre o momento naquele lugar.

Mas, por conta do blog, fui “obrigado” a sair para comer e conhecer lugares novos sem ter alguém para compartilhar a refeição. Um mal necessário, afinal, quando gostamos de algo, precisamos fazer alguns sacrifícios.

Minha lista de restaurantes que desejo visitar é bem grande. Porém, quando se é cozinheiro, são muitos os fatores que lhe fazem procrastinar a ida, desde tempo e dinheiro a companhia e disposição.

Depois de alguns planejamentos, consegui arrumar tempo para visitar o 1928, um restaurante que estava na minha lista assim que teve a sua inauguração no Rio. Por ser perto de onde eu trabalho, a visita ficou mais fácil de acontecer.

Deck de Entrada.

 

Salão.

 

Corredor Lateral.

1928 é um daqueles lugares que não querem ser intimistas. Muito pelo contrário: com um ar de boteco, a ideia é se sentir bem à vontade. Situado em um casarão antigo no Botafogo, ele traz o estilo que muitos restaurantes têm adotado: paredes com tijolos aparentes, num misto de rústico e moderno, e chão de cimento queimado, que combina muito bem e oferece um ar de “menos é mais”. A casa conta com um corredor na lateral que vai até os fundos e um deck que permite aos clientes que gostam de ar livre ficarem ainda mais à vontade – sem falar que eles também ficarão de frente para o bar, com acesso ao interior da casa.

Os pratos, assim como o ambiente, trazem o toque clássico e simples, sem perder a qualidade no sabor e na apresentação. O menu traz itens que são muito encontrados em botecos, mas em versões renovadas, demonstrando o toque autoral do chef Cezar Cavaliere. A casa conta com um menu executivo que permite ao cliente provar a entrada + prato principal + sobremesa por R$ 45,00 (valor de referência baseado no dia da visita, feita em janeiro de 2018). Fui em uma terça no horário de almoço, o que me ajudou a encontrar o salão mais vazio e ser atendido com mais atenção e sem precisar esperar tanto.

Optei pelo menu executivo para ter uma melhor noção do que é servido. Vou detalhar minha escolha a seguir.

Sou louco por pirão de peixe e por boa parte de pratos que levem farinha de mandioca. Por ser neto de pernambucanos, esse é um item que fez parte da minha infância. Logo, não resisti e escolhi o Pirão de Peixe com Tucupi, Salada de Ervas e Dedo de Moça e Farofa de Gengibre. Uma das principais coisas que me remetem à infância – gastronomicamente falando, rsrs – é o sabor da comida feita pelas minhas avós. Lá em casa, o sabor e a simplicidade sempre faziam parte do menu. E, é claro, não poderia faltar jamais o pirão.

Pirão de Peixe com Tucupi, Salada de Ervas e Dedo de Moça e Farofa de Gengibre.

Ao pedir a entrada, pensei que, por um momento, seria “transportado” a um passado não tão distante, mas que faz muita falta, e um passado este marcado por comida farta e com sabor de arrancar suspiros. A textura do pirão estava menos firme do que eu era acostumado a comer, e o sabor, bem discreto. O tucupi marcou presença, mas não me ganhou da forma que eu esperava. Resumindo, estava ok, porém não brilhou como eu tanto imaginara.

Se você acompanha meu trabalho no Instagram e aqui no blog, sabe o quanto amo tudo que remete à gastronomia italiana. Minha segunda escolha foi feita em razão disso. Fiquei com o Gnocchi de Batata Doce, Carne Assada Desfiada e Vinagrete de Quiabo. Confesso: o prato principal veio pra acabar totalmente com minha impressão ruim.

Gnocchi de Batata Doce, Carne Assada Desfiada e Vinagrete de Quiabo.

Acredito que boa parte das pessoas tem boas histórias com carne assada. Bem, eu amo carne assada, e se estiver desfiada então… hummm, chego a suspirar. Foi assim que, ao chegar o meu pedido, logo na primeira garfada, eu sabia que tinha feito a escolha certa. O Gnocchi – no estilo romano –, estava no ponto e formato perfeitos, casando muito bem com a carne assada e sua suculência. O vinagrete de quiabo agregava a acidez que todo bom prato deve ter. Este, certamente, é um prato que merece destaque.

Por fim, mas não menos importante, escolhi a sobremesa. Nunca menospreze a sobremesa. Ela pode tanto encerrar um momento memorável como também pode destruir uma experiência que tinha tudo para dar certo. Dou graças por, no meu caso, ter sido a primeira possibilidade. Escolhi o Bolo Cremoso de Milho com Brigadeiro e Creme Inglês de Café.

Bolo Cremoso de Milho com Brigadeiro e Creme Inglês de Café.

Sabe aquelas sobremesas que lhe fazem fechar os olhos depois de saboreá-las? Sim, essa era uma delas. A textura do bolo estava incrivelmente perfeita, leve e de sabor singular, somada ao brigadeiro – querido doce dos brasileiros –, que não estava na versão mais firme, e sim mais para uma calda, o que agradou muito. Tudo isso junto ao creme inglês com o toque de café para fechar muito bem a refeição.

Esta experiência me deixou muito feliz por ter tido a oportunidade de desfrutar mais uma vez de sabores que falam além da mesa.

Já estou contando os minutos para poder voltar ao 1928.

 

Ambiente – Clean.
Comida – Acessível.
Serviço – Bom.

 

1928.
Rua Álvaro Ramos, 170.
Botafogo – Rio de Janeiro
Horários:  Segunda-feira 12:00 – 16:00
Terça-feira 12:00 – 01:00
Quarta-feira 12:00 – 01:00
Quinta-feira 12:00 – 01:00
Sexta-feira  12:00 – 02:00
Sábado 12:00 – 02:00
Domingo 12:00 – 22:00

 

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Até a próxima.

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