Resenhando #1 O Dilema do Onívoro.

Michael Pollan talvez seja hoje o melhor exemplo de quem apoia a ideia de faça você mesmo sua comida. Escritor e professor de jornalismo da Universidade da Califórnia, em Berkeley, é colaborador da revista dominical do The New York Times e autor, até o momento, de outros quatro livros.

Michael Pollan

 

No livro O Dilema do Onívoro – eleito um dos cinco melhores livros de não ficção do ano, pelo The  New York Times –, ele percorre o caminho inverso dos alimentos – desde o prato de comida em nossas mesas até a sua origem.

O título é uma referência para nós, humanos – onívoros. Por termos uma habilidade de distinção de alimentos e conseguir se alimentar de quase qualquer coisa que a natureza tenha para oferecer, decidir o que se deve comer irá necessariamente provocar ansiedade, sobretudo quando algumas das comidas à nossa disposição têm a capacidade de nos fazer adoecer ou nos matar. Logo, nos encontramos em um grande dilema, quando o assunto é com o que devemos nos alimentar.

“Um país com uma cultura alimentar estável não esbanjaria milhões com charlatanices (ou senso comum) de um novo livro sobre dietas publicado a cada mês de janeiro. Não seria suscetível às oscilações do pêndulo com o pânico e os modismos associados a certos alimentos, nem no espaço de poucos anos, à apoteose de um nutriente recém-descoberto e à demonização de outro. Não seria capaz de confundir barras de proteínas e suplementos nutritivos com refeições ou tomar cereais matinais como remédios. Provavelmente não permitiria que um quinto das refeições fosse consumido dentro de carros, nem que um terço de suas crianças fosse alimentado todos os dias em redes de fast-food. E certamente não seria nem de longe tão obeso.” (P.10)

Pollan nos diz sobre o que está por trás do fast-food, como por exemplo, um McNugget. Juntando informações através de uma investigação bem apurada, durante cinco anos ele percorreu por muitos lugares distantes, como fazendas industriais e agricultores alternativos, conversando com técnicos de engenharia de alimentos e ecologistas e com criadores de gado e cientistas.

Ele investiga três situações específicas, uma por uma em seções separadas:

Industrial, com o cultivo e a produção de alimentos em escala industrial; o Capim, com a agricultura orgânica –
queridinho do momento, mas revelando-se enganoso em algumas partes –; e A Floresta, com o lado ligado à caça e à coleta.

Industrial: aborda a produção em larga escala do milho e suas mil utilidades quando se trata de inovação alimentar. Também fala da produção de carne, desde o confinamento dos animais, alimentação – com milho – e o abate.

 “O inchaço é, ao que tudo indica o problema mais sério que pode acontecer a um ruminante que se alimenta de milho… Com o passar do tempo, os ácidos terminam por corroer as paredes do rúmem, permitindo que bactérias entrem na corrente sanguínea do animal. Esses micróbios vão acabar no fígado, onde formam abcessos e comprometem o funcionamento do órgão.” (P.88)

Capim: argumenta sobre o crescimento exponencial dos alimentos orgânicos. Mostra também que tudo se trata de capim – toda carne é “capim” – e deveríamos ter um olhar mais atento a isto.

 “Você não acha estranho que as pessoas se empenhem mais na hora de escolher seu mecânico ou mestre-de-obras do
que para escolher aquele que produz a sua comida?” (P.258)

A Floresta: Pollan mostra nesta parte sua experiência pessoal com o lado da caça – da carne – e sobre a questão ética por trás de nos alimentarmos de animais. Fala também sobre a coleta – fungos (cogumelos) – e finaliza com o que chama de A Refeição Perfeita.

 “A comida precisa ser boa não apenas para se comer, mas também para se pensar”. (P.309)

O Dilema do Onívoro.

Autor: Michael Pollan.
Nº de páginas: 479.

Editora: Intrínseca.

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Até a próxima.
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